23/02/2026
Cobrança pelo uso da água e governança do CBH Paranaíba ajudam a melhorar o saneamento em Araxá (MG)
GERAL
Ao longo de 2025, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (CBH Paranaíba) destinou mais de R$5 milhões a projetos de saneamento rural em regiões consideradas prioritárias na bacia.
A iniciativa em Araxá (MG), com investimento de mais de R$940 mil dos recursos da cobrança pelo uso da água, integra a estratégia de governança do Comitê. Um modelo de gestão que organiza a aplicação desses recursos, articula parcerias e viabiliza projetos estruturados a partir das demandas do território, ampliando o impacto dos investimentos e criando condições para que novas iniciativas possam ser desenvolvidas na bacia.
Foram entregues 112 biodigestores nos distritos de Boca da Mata e Itaipu, beneficiando diretamente mais de 550 moradores da zona rural de Araxá. Os sistemas realizam o tratamento biológico do esgoto doméstico nas próprias propriedades, reduzindo a carga poluente lançada no solo e nos cursos d’água e contribuindo para a melhoria das condições sanitárias e ambientais da região.
Segundo o presidente do CBH Paranaíba, João Ricardo Raiser, esse avanço reflete uma estratégia construída pelo Comitê “Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a aplicação de recursos na bacia. Saímos de cerca de R$3 milhões investidos em 2022 para mais de R$26 milhões no último ano, em ações de saneamento, recuperação ambiental e apoio aos municípios. Não basta apenas entregar uma obra; é preciso criar um exemplo que possa ser replicado. O saneamento rural ainda é uma lacuna no Brasil, e iniciativas como essa mostram que é possível avançar com governança, parceria e planejamento.”
Para o vice-presidente do CBH Paranaíba, Fábio Bakker, esse é um dos aspectos centrais da iniciativa “Além das famílias diretamente beneficiadas, toda a população do município é impactada quando há melhoria na qualidade e na quantidade da água. O que antes era um passivo ambiental passa a ser uma solução estruturada, com reflexos para o município e para a bacia como um todo.”
Fábio também ressalta como o resultado alcançado em Araxá é fruto da capacidade de articulação construída no âmbito da governança da bacia “O valor de estarmos juntos e de termos governança sobre o recurso e sobre a execução com qualidade é um grande destaque. Tivemos capacidade de nos mobilizar, elaborar o projeto, identificar a área prioritária e aplicar os recursos. Isso demonstra uma capacidade concreta de realização e abre caminho para que essa experiência possa ser multiplicada.”
A elaboração da proposta técnica e o acompanhamento das ações no território contaram com a atuação da Prefeitura de Araxá, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), responsáveis pela mobilização das comunidades e estruturação do projeto apresentado ao Comitê.
A iniciativa reforça o papel da administração municipal na agenda ambiental e sanitária da zona rural. Para o prefeito de Araxá, Robson Magela, o projeto dialoga diretamente com a qualidade de vida das famílias do campo “Cuidar das comunidades rurais é uma prioridade da nossa gestão. Investir em saneamento é investir em saúde, dignidade e qualidade de vida para as famílias que vivem no campo. E hoje estamos aqui reafirmando nosso compromisso em levar melhorias para toda a cidade.”
O secretário municipal de Meio Ambiente e superintendente do IPDSA, Vinícius Martins, explicou o funcionamento do sistema implantado “O efluente gerado nas residências é direcionado para o biodigestor, onde passa por um processo de decomposição biológica. Microrganismos atuam na degradação da matéria orgânica, reduzindo a carga poluente antes do lançamento final. Com isso, evitamos a contaminação do solo e das águas subterrâneas e superficiais, garantindo um tratamento adequado e ambientalmente correto.”
Embora a instalação dos sistemas beneficie diretamente as famílias atendidas, os efeitos da iniciativa ultrapassam os limites das propriedades rurais. A redução da carga poluente contribui para a proteção do solo, das nascentes e dos cursos d’água que abastecem o município, ampliando o impacto ambiental da ação.
A entrega dos sistemas é resultado de uma estrutura de gestão que vem ampliando, de forma consistente, a aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água na Bacia do Rio Paranaíba. A atuação do Comitê tem se consolidado na definição de prioridades, e também na capacidade de articular municípios, estruturar projetos e garantir que os investimentos se convertam em ações executadas no território.